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Arquitetura - Uma arma contra o terrorismo

 2017-08-24

Luso Cuanza: Arquitetura - Uma arma contra o terrorismo

Ameaça terrorista é uma componente cada vez mais relevante na hora da conceção de edifícios e espaços públicos. Arranha-céus sucessor das Torres Gémeas e a nova embaixada dos EUA em Londres são representantes da nova vaga arquitetónica que pretende harmonizar segurança com design inovador e acolhedor.

Na ressaca de mais um atentado no coração da Europa e enquanto Barcelona e Espanha fazem o que podem para sarar das feridas causadas pelo banho de sangue nas Ramblas e na localidade catalã de Cambrils, prossegue o debate, um pouco por todo o mundo ocidental, sobre as soluções e medidas que possam contribuir para uma redução significativa da ameaça terrorista, a curto e longo prazo.

Limitar as ações daqueles que, à semelhança dos que mancharam Londres, Berlim, Paris, Orlando, Istambul, Manchester, Bruxelas, Nova Iorque, Nice ou Estocolmo – apenas para referir os ataques mais recentes – procuram ceifar o maior número possível de vidas, recorrendo ao menor número de armas ou aos menos custosos e simples métodos de ataque, não passa apenas pela discussão à volta da videovigilância, da presença dos exércitos nas ruas ou do controlo fronteiriço. A ameaça terrorista tem ganho cada vez mais relevância dentro dos ateliers de arquitetura, nomeadamente daqueles que têm a cargo a responsabilidade de conceber edifícios e espaços públicos, que possam funcionar, também eles, como mecanismo eficaz de contraterrorismo.

Os espaços pensados para controlo de segurança, as saídas de emergência em caso de perigo, e até a colocação de vidros à prova de bala, já fazem parte, desde meados dos anos 1990, do design de grande parte dos edifícios governamentais, embaixadas, aeroportos, museus, estádios ou salas de espetáculos, mas o ataque às Torres Gémeas de Nova Iorque, em 2001, os incontáveis tiroteios em escolas (sobretudo) americanas e os atentados por atropelamento, obrigaram os arquitetos e engenheiros a terem de repensar algumas noções securitárias e a pô-las em prática nos mais variados projetos.

Aos pilares de cimento e barreiras de metal erguidos, em cada vez maior número, nos passeios que ladeiam os principais monumentos das cidades ocidentais e à construção de fossos – habitualmente enchidos com água – à volta de edifícios, somam-se outras soluções, com maior ou menor grau de estética ou de inserção no meio envolvente. Olhe-se, por exemplo, para a decisão das autoridades parisienses de colocar uma parede de vidro, com cerca de 2,5 metros de altura, à volta da mítica Torre Eiffel, justificada com a situação de elevado risco terrorista na capital francesa e nos seus principais monumentos.

Esta nova consciencialização passou, naturalmente, por várias fases, algumas delas perfeitamente visíveis nos edifícios erguidos. O departamento de Estado norte-americano, por exemplo, decidiu criar em 2002 um modelo standard para as todas as suas novas representações diplomáticas, com um design o mais pragmático, utilitário e seguro possível. Ao fim de uma década em que foram construídas dezenas de embaixadas e consulados altamente fortificados e pouco acolhedores, o então senador democrata John Kerry – nomeado secretário de Estado para o segundo mandato da administração Obama – criticou as “embaixadas bunkers”, defendeu que o facto de estarem “escondidas” e “distantes da vida nas cidades”, “comprometia a mensagem e a missão” dos diplomatas dos EUA no exterior, e contribuiu para se dar início a uma abordagem distinta.

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Por António Saraiva Lima | Jornal I em 21 de agosto de 2017