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Metodologia BIM, o novo paradigma dos projectos de engenharia em Portugal segundo Ezequiel Hugo China

 2015-09-28

Luso Cuanza_
Opinião de Ezequiel Hugo China, sócio-gerente da CTGA – Centro Tecnológico de Gestão Ambiental, Lda

Hodiernamente, o avanço tecnológico nas mais diversas áreas e o constante surgimento de novas interdisciplinas potenciam o avanço da Ciência e da Técnica em moldes dificilmente antes imagináveis.

Presentemente, o Sector da Água encontra-se cada vez mais pressionado por um controlo de custos acérrimo e, concomitantemente, por novas disposições, designadamente em termos ecológicos e ambientais, pelo que se torna imperioso assumir, como estratégia fulcral para o crescimento sustentado, a procura de novas ferramentas que permitam obter mais e melhor informação do que aquela que é oferecida pelos processos mais tradicionais de projecto, assentes em sistemas de CAD convencionais.

 

Assim, as mais avançadas ferramentas foram desenvolvidas sobre um novo conceito: BIM (Building Information Modeling).

 

Trata-se de um conceito bastante difundido em países mais desenvolvidos, como os Estados Unidos da América e o Canadá, desde década de 70, do século XX. Desde então, foi-se assistindo a um desenvolvimento ao nível de modelos bidimensionais e, posteriormente, tridimensionais.

 

Os softwares BIM revolucionaram o modo como se comunica entre os vários intervenientes num Projecto, tendo em consideração as várias especialidades e fases de execução. Passou a ser possível a visualização e compatibilização de todas as especialidades de uma infraestrutura, tranformando-a num único modelo interactivo.

 

Actualmente, a forma mais frequente da aplicação do BIM é o 4D (onde inclui a variável tempo). No entanto, há uma forma mais completa de aplicação que reúne todos os custos do projecto, designando-se de 5D. Já está igualmente disponível a designação 6D e 7D, relacionada com a sustentabilidade e a aplicação de gestão das infraestruturas, respectivamente.

 

Por conseguinte, os modelos inteligentes BIM não são mais do que representações digitais das características físicas e funcionais da infra-estrutura que se pretende executar.

 

A tendência para o uso destas ferramentas vai, certamente, aumentar nos próximos anos, visto que se tem revelado uma mais-valia qualitativa na partilha de informação, pois a sua utilização simples e eficaz, adapta-se perfeitamente ao ambiente de construção, que está constantemente em transformação, e permite visualizar e gerir o futuro antes da sua construção.

 

Em Portugal, esta metodologia está apenas a dar os primeiros passos, não só devido à dificuldade de implementação de novas tecnologias, mas também face ao custo que estas soluções acarretam, no desenvolvimento destes projectos, nomeadamente ao nível do investimento na compra do software, mas também no que respeita à manutenção de licenças e, evidentemente, às competências técnicas dos Engenheiros e Desenhadores das empresas de Projecto.

 

A Divisão de Engenharia da CTGA, empresa na qual exerço funções executivas, tem vindo a desenvolver os seus Projectos, em modelo BIM, perspectivando como vital a visualização tridimensional de objectos inteligentes como também a gestão de informação ao longo do ciclo de vida da infraestrutura.

 

É séria a aposta neste novo paradigma de desenvolvimento de projectos, quer em recursos tecnológicos, quer em formação dos quadros, com o fito de responder com qualidade no exigente Sector da Água.

 

Prognostica-se que, no futuro, esta ferramenta venha a generalizar-se como intrumento essencial na Engenharia, consubstanciando, assim, um enorme avanço qualitativo do ponto de vista científico-tecnológico. Neste sentido, é da responsabilidade de cada um de nós, Stakeholders do Sector, investir no conhecimento e incrementar a formação, por forma a que, com o contributo de todos, Portugal possa alcançar a linha da frente na elaboração de Projectos em Engenharia.

Fonte: Ambiente Online

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